segunda-feira, 23 de março de 2009

Fernando Pessoa - heterônimos - ÁLVARO DE CAMPOS

Álvaro de Campos, nascido no Porto em 19 de setembro de 1887 - é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso, por uma linguagem de tom irreverente. Essa modernidade tem ligações claras com o cosmopolita Cesário Verde, com Walt Whitman e com o Futurismo. Sentindo e intelectualizando suas sensações (sentir e pensar), Campos percebe a impossibilidade de não pensar, observa criticamente o mundo e a si próprio, angustiando-se diante do tempo inexorável e do absurdo da vida. Apresenta-se como o engenheiro inativo, inadaptado, inconciliado, com consciência crítica.


Esta Velha

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!

Fernando Pessoa - heterônimos - RICARDO REIS

Ricardo Reis, nascido no Porto em 19 de setembro de 1887 - representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos, tendendo à vernaculidade e ao formalismo. Tem consciência da fugacidade do tempo; apóia-se na mitologia greco-romana; apresenta-nos uma musa (Lídia) e, filosoficamente, é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, mas sem exageros, sossegadamente, porque a morte está à espreita. Médico que se mudou para o Brasil.

Inglória

Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.
Quantos, se pensam, não se reconhecem
Os que se conheceram!
A cada hora se muda não só a hora
Mas o que se crê nela, e a vida passa
Entre viver e ser.

domingo, 22 de março de 2009

Fernando Pessoa - heterônimos - ALBERTO CAEIRO

Alberto Caeiro, nascido em Lisboa em 16 de abril de 1889 - o mais objetivo dos heterônimos. Busca o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que se volta para a fruição direta da Natureza; busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. Neste sentido, é o antípoda de Fernando Pessoa "ele-mesmo", é a negação do mistério, do oculto. Coerente com a posição materialista, antiintelectualista, adota uma linguagem simples, direta, com a naturalidade de um discurso oral. Os versos simples e diretos, próximos do livre andamento da prosa, privilegiam o nominalismo, a "sensação das coisas tais como são". É o menos "culto" dos heterônimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura. Mas, sob a aparência exterior de uma justaposição arbitrária e negligente de versos livres, há uma organização rítmica cuidada e coerente. Caeiro é o abstrador paradoxalmente inimigo de abstrações; daí a secura e pobreza lexical de seu estilo.


XVI - Quem me Dera


Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas ...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.

- FERNANDO PESSOA - vida

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888 em Lisboa. Em 1896, a família parte para Durban onde Fernando Pessoa estuda e aprende o inglês. Em 1905, ele regressa definitivamente a Lisboa, com intenção de se inscrever no Curso Superior de Letras. Lê Shakespeare, Wordsworth e filósofos gregos e alemães. Toma contato com a poesia francesa, especialmente a de Baudelaire e lê os poetas portugueses Cesário Verde e Camilo Pessanha. Em 1907, abandona o curso superior e monta uma tipografia que mal chega a funcionar. No ano seguinte, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em casas comerciais, profissão que exerceu até a morte. Pessoa escolhe uma vida discreta, mas livre, sem obrigações fixas, nem horários. Em 1912, Pessoa inicia sua colaboração na revista A Águia. Inicia correspondência com Mário de Sá-Carneiro que, de Paris, manda a Pessoa notícias do Cubismo e do Futurismo. Pessoa escreve, em inglês, o poema Epithalamiun e, em português, o drama O Marinheiro. Vai elaborando o projeto de vários livros e traz um novo movimento: o Paulismo, tudo isso no ano de 1913. No ano seguinte, publica Paúis, sob o título de Impressões do Crepúsculo e aparecem os heterônimos*: Alberto Caeiro e seus discípulos Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Fernando Pessoa compõe Ode Triunfal, encaminhando-se para o Sensacionismo e para o Futurismo, sob o heterônimo de Álvaro de Campos. Compõe ainda Chuva Oblíqua (poesia ortonímica), delineando o Interseccionismo. Em 1915, surge a revista Orpheu, marco do Modernismo em Portugal. O primeiro número, dirigido por Luís Montalvor e Ronald de Carvalho, publica os poemas Ode Triunfal e Opiário (Álvaro de Campos) e O Marinheiro (Fernando Pessoa). No segundo número, saem Chuva Oblíqua e Ode Marítima. No mesmo ano, Fernando Pessoa inicia-se no esoterismo, traduzindo um Tratado de Teosofia. Em 1919, escreve Poemas Inconjuntos, assinados por Alberto Caeiro, apesar deste ter morrido em 1915. Em 1920, Pessoa passa a morar com sua mãe, que regressara, viúva, da África do Sul. Ela falece em 1925. Cinco anos depois, Pessoa escreve mais poemas, assinados por seus heterônimos. Em 1934, publica Mensagem, livro de poemas de cunho místico-nacionalista, única obra em português publicada em vida. Em 1935, no dia 30 de novembro, no Hospital São Luís, em Lisboa, morre Fernando Pessoa.

*Os heterônimos (diz-se de autor que publica um livro sob o nome verdadeiro de outra pessoa)

sábado, 14 de março de 2009

Apresentação na QUINTA ESSÊNCIA

Apresentaremos uma esquete do Janelas (parte do trabalho de pesquisa), na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, no espaço aberto para apresentações chamado Quinta Essência.

Rua Visconde de Inhaúma, 730
Bairro Vila Gerty
São Caetano do Sul
Dia 23/04/09 a partir das 18h (Saguão)

Esperamos vocês lá

quarta-feira, 11 de março de 2009

PRODUÇÃO do JANELAS

Começamos a corrida atrás de produzir nosso espetáculo e pesquisa Janelas. Dividimos o grupo em células de trabalho, figurino, cenário, música, texto e divulgação. Patrocínios, patrocínios e mais patrócinios, projetos, projetos e projetos. Precisamos de instrumentos de percussão, tecidos para o figurino e roupas, muitas roupas para nossas lavadeiras lavarem, e bacias também.

Corrida contra o tempo! Estreiaremos no segundo semestre de 2009!

terça-feira, 10 de março de 2009

Orkut do Cês in Cena

Cês in Cena agora tabém tem orkut, e adorariamos tê-los como nosso amigo... Adicione

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2148164464238148953



quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Primeiro mês de 2009

Voltamos com nossas reuniões no dia 12 de Janeiro e já começamos o trabalho:
  • Estamos em processo de criação do nosso primeiro espetáculo "Janelas";
  • Conseguimos um local fixo para ensaiar;
  • Montamos uma cena muito divertida sobre motivação para trabalhar em várias empresas;

Esse ano é o começo de nossa jornada!

Muito teatro, muito trabalho, muita ciranda, muita dança, muita alegria e arte nesse novo ano, cheinho de esperanças.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

11 de Outubro

Visitamos a Casa Amor Vida, em São Bernardo do Campo. Uma casa que acolhe crianças e adolescentes soro positivo por meio período. Fomos nos dias das crianças, fizemos em uma das salas uma espécie de discoteca para todos dançarem e depois apresentamos "Janelas".



Algumas fotos:






sexta-feira, 17 de outubro de 2008

FOTOS SARAU

Depois da apresentação
Cena Janelas







domingo, 12 de outubro de 2008

LIA DE ITAMARACÁ

Maria Madalena Correia do Nascimento nasceu no dia 12 de janeiro de 1944, na ilha de Itamaracá, Pernambuco.
Sempre morou na Ilha e começou a participar de rodas de ciranda desde os 12 anos de idade. Foi a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá.
Mulher simples, com 1,80m de altura, canta e compõe desde a infância e hoje é considerada a mais famosa cirandeira do Nordeste brasileiro.
Trabalha como merendeira numa escola pública da rede estadual de ensino e, nas horas vagas, dedica-se à musica e à ciranda, além de cantar e compor cocos de roda e maracatu.
A compositora Teca Calazans foi uma das primeiras pessoas interessadas na cultura popular nordestina a descobrir o seu talento e acabaram fazendo alguns trabalhos em parceria, como o resgate de músicas em domínio público e composições.
Maria Madalena começou a ficar conhecida como Lia de Itamaracá, nos anos 1960 e é a fonte de um refrão famoso, recolhido pela compositora Teca Calazans: Oh cirandeiro/cirandeiro oh/ a pedra do teu anel brilha mais do que o sol. A estes versos Teca incorporou uma toada informativa, que também teve grande sucesso: Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá.
Em 1977, Lia gravou seu primeiro disco, intitulado A rainha da ciranda, não recebendo, no entanto, nenhum pagamento pelo trabalho.
Mais de duas décadas depois foi redescoberta, quando o produtor musical Beto Hees a levou para participar do festival Abril Pro Rock, realizado no Recife e em Olinda, em 1998, onde fez grande sucesso e tornou-se conhecida em todo o Brasil. Antes ela só era famosa em Pernambuco e entre compositores e estudiosos da cultura popular nordestina.
Em 2000, saiu seu CD Eu Sou Lia, lançado pela Ciranda Records e reeditado pela Rob Digital, cujo repertorio incluía coco de raiz e loas de maracatu, além de cirandas acompanhadas por percussões e saxofone.
O CD acabou sendo distribuído na França por um selo de world music e a voz rascante de Lia chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o “transe” que o som causava no público.
Mesmo obtendo um sucesso tardio, fez turnês internacionais obtendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.
No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no CD Rádio Samba, do grupo Nação Zumbi, teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto, e críticos de música a comparam a Clementina de Jesus.
As cirandas pernambucanas de Lia são cantadas por muitos. Referencial da cultura pernambucana, Lia de Itamaracá, hoje, é uma das lendas vivas do Estado e continua morando na ilha de Itamaracá.







JANELAS

Um espetáculo que retrata a vida de quatro mulheres, esposas de pescadores. Mulheres da terra, do mar, do sol, do trabalho. A presença feminina é muito forte e a relação humana intensa. Com muita música, mais especificamente cirandas da região nordeste, a maioria da compositora pernambucana Lia de Itamaracá. Muita regionalidade, textura, crença, e a sensibilidade e a poesia encontradas na rusticidade da vida dessas pessoas.

São quatro personagens
Amanda - Bruna Bertossi
Maria - Fabiana Louro
Arabela - Tatiane Vaz
Carolina - Samara Montalvão

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Apresentação no Sarau de "JANELAS"

Montamos uma cena baseada nas poesias de Cecília Meirelles e Fernando Pessoa. Apresentaremos em um sarau agora no dia 11 de outubro. Partimos do princípio de ter muito bom humor, delicadeza, lirismo e sonorizações. Utilizamos sons de conchas, instrumentos de sucata, entre outros.

"Janelas"
Cena com muita música, feminilidade e sonhos, que retrata a amizade e o amadurecimento de Carolina, Arabela, Maria e Amanda, quatro meninas/mulheres.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

NOVA FASE...

... estamos entrando em uma nova fase de trabalho. Vamos virar um grupo experimental de teatro, queremos fazer arte, nos tocar, nos modificar e assim sensibilizar nosso público, fazendo com que ele seja participante ativo de nossas cenas, fazendo tudo uma celebração ao teatro, a arte, e o mais importante a vida...

... experimental, por quê? Porque vamos experimentar, sim, sim, experimentar vários espaços cênicos (trens, praças, ruas, parques) e várias linguagens...


Estamos empolgadas para o início de processo, merda a todos nós.


"A arte deve antes de tudo e em primeiro lugar embelezar a vida".
Nietzche

Campanha do Agasalho 2 (FOTOS)

Mais uma intervenção cênica em uma empresa, para a Campanha do Agasalho, eis as fotos:



quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Cês In Cena" também foi visitar os velhinhos no "Asilo São Vicente de Paula"

Pensy, Florly e o simpático Sr. Gonçalo

Ai gente esse dia foi mágico! Todos os "senhorzinhos" ficaram encantados com a nossa presença! E a gente? Nem preciso falar neh...

Eles são extremamente carentes também, adoram conversar e contar suas histórias de vida e mostrar suas habilidades, uns fofos!


Mas não tem muito o que contar, só visitando pra entender... Nesse dia foi também um coral, dançamos muito com o Sr. Dorvalino rs...

"Florly e Sr. Dorvalino dançando ---->

É isso pessoal... Vou deixar o endereço pra quem quizer visitá-los ou fazer doações e ter essa ótima experiência de vida!

Convidado especial: Anderson -
"Cavaquinho Gianechini"


Visita ao Orfanato Pequeno Leão...

Esse dia foi interessante, porém um tanto quanto triste e preocupante...

De inicio, fizemos nossos "clowns" mas em estilo caipira rs... Preparamos brincadeiras, combinamos fazer uma espécie de gincana, já que as crianças no geral adoram suar e gastar muita energia... Mas esse tipo de brincadeira não rolou muito... Contudo, foi uma grande experiência pro "Cês In Cena" pois percebemos que cada público reage de uma forma diferente... Nesse orfanato por exemplo, as crianças precisavam mais de carinho e atenção do que de brincadeiras.

Foi um dia gostoso, mas sentimos que nossa crianças estão muito revoltadas e carentes de amor. E é triste saber que esse foi só um caso, quantas crinças não estão na mesma situação ou pior...O bom e que pelo menos por um dia ela desfrutaram de goloseimas que a Mondial levou e receberam muito carinho!

Campanha do Agasalho (2º Parte)

Fizemos a segunda parte da Campanha do Agasalho, desta vez mudamos a intervenção, fomos todas como senhoras de idade pois o enfoque maior era asilos. Foi muito legal, fizemos umas senhoras meio revoltadas com a situação nos asilos e inventamos até um grito de guerra: "Doe uma manta, sua vó é uma santa"!!!!! As pessoas acharam muita graça, nós com muito humor falamos que estávamos precisando de produtos de higiene pessoal, agasalhos e comida, a recepção foi até que calorosa com a senhoras.

Campanha do Agasalho

Ainda na empresa Mondial, fizemos a Campanha do Agasalho. Nossa proposta era chocar os analistas, então lançamos a proposta de ter dois mendigos, mãe e filho, uma senhora de idade, uma pessoa bem rica e esnobe e um policial.

Os mendigo chegaria pedindo comida e agasalho para as pessoas, a senhora de idade também pediria agasalho para as pessoas e entregando o folheto da campanha, a moça rica chegaria para humilhar a senhora de idade que estava representando a avó dela e a policial chegaria pra controlar a situação que os mendigos estavam causando.

Foi interessante ver a reação das pessoas, muitas acreditaram que eram mendigos de verdade e se assustaram ao ver toda a situação da intervenção, outros nem davam atenção e outros riam e debochavam dos personagens, foi uma grande experiência, esperamos que de alguma forma eles possam ter refletido sobre a situação em que muitos brasileiros se encontram hoje em dia.


Evoluindo...

Só para constar nos autos, estamos evoluindo, ebaaaaaa. Em alguns trabalhos anteriores não tinhamos como tirar fotos das intervenções que fazíamos, muitos momentos foram perdidos, mas agora temos várias fotos para colocar em nosso blog de divulgação do nosso trabalho, então a partir de agora sempre postaremos novas fotos.